domingo, 23 de julho de 2017

"A Semana de Max Heindel"


Em 23 de julho de 1973 a Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil decidiu incorporar em suas atividades a “Semana de Max Heindel”, o que ficou registrado na revista Serviço Rosacruz do mês seguinte (agosto de 1973), tendo sido fielmente levado à prática até final da década de 90 aproximadamente.

Assim, de 23 de julho até o final do mesmo mês, toda e qualquer atividade no centro em São Paulo tinha início com menções sobre a vida e a obra do fundador da Fraternidade Rosacruz.

Embora no anúncio da revista conste a expressão sessão solene, as manifestações eram bastante simples, como, aliás, condiz à nossa escola. Não se tratava de uma exaltação à personalidade de Max Heindel. A finalidade, pelo contrário, era a de uma introspecção do exemplo. 

sábado, 1 de julho de 2017

Do Cultivo de Nossas Rosas Internas

 por Jonas Taucci

Durante décadas, dedicadas irmãs – alternando-se - traziam semanalmente uma rosa branca, natural e com frescor, colocando-a num vaso na tribuna do Templo da Fraternidade Rosacruz. Nenhum Ritual era oficiado sem ela.

Originária de países asiáticos, a rosa já era utilizada por civilizações antiquíssimas (assírios, babilônios, gregos, egípcios) em formas decorativas, banhos de imersão e ofícios religiosos. Fósseis desta flor datam de milhões de anos.

Existe por volta de 100 espécies de rosas, e para os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, esta flor reveste-se de uma sublime importância, fazendo parte do símbolo Rosacruz.

Vejamos:

*** No símbolo Rosacruz - em consonância ao Ritual de Cura - a rosa branca é o símbolo do coração do Auxiliar Invisível e as sete rosas vermelhas representam seu purificado sangue.

*** Neste mesmo símbolo, os Ensinamentos Rosacruzes informam que as sete rosas vermelhas são nossas (internas) glândulas endócrinas, e que possuem sua contrapartida em nosso Corpo Vital, sendo meios para evoluirmos e nos desenvolvermos espiritualmente. 


Uma analogia entre o universo, os diversos campos de evolução além da Terra, pode ser feito com uma rosa, pois a bela imagem desta flor desabrochando está – esotericamente – ligada a ocorrência evolutivas.

OITAVA SUPERIOR
*** Do centro da rosa (Mundo de Deus), emanam pétalas (incontáveis ondas de vida).

OITAVA INFERIOR
*** Exatamente do centro desta flor (Espíritos Virginais), surgem pétalas, camadas (Corpos Denso, Vital, de Desejos e Mente, numa descida” à Terra, a matéria).


Abaixo, a letra da Canção do Serviço da Rosa Branca, tradução do original: "White Rose Service Song" de autoria de Emma Wendt, que consta do livro Songs of Light de nossa Sede Mundial (Oceanside). Esta versão para o português é de autoria dos irmãos da Fraternidade Rosacruz - Max Heindel do Rio de Janeiro. (Letra original no vídeo abaixo)

Eu rogo a Ti, ó Senhor da Luz,
Com os meus olhos nesta linda rosa branca,
Eu adoro o Teu Sagrado Nome neste momento
Transmuta meu amor em força curadora.

Ajuda-me a encontrar o Caminho,
O glorioso Caminho que Jesus trilhou
O Caminho do Serviço, o Caminho mais curto,
O caminho mais seguro e alegre.
Ensina-me a amar o Caminho que conduz a Ti,
Meu Pai Celestial.


Sugestões de leituras indicadas:

*** Max Heindel -Conceito Rosacruz do Cosmos, capitulo XVII Método para adquirir o conhecimento direto – subtítulo: Concentração, onde Max Heindel cita uma rosa.(aqui)

*** Revista: Rays from the Rose Cross – volume 95 – número 02, de março/abril de 2003, pág.32 "Is the Universe Like a Rose?" (aqui)

*** Max Heindel, livros Astrologia e Glândulas Endócrinas e Mistérios das Glândulas Endócrinas.


Ouça a canção e conheça a letra original de Emma Wendt


Relacionado: Rosa Rainha das Flores... por Delmar de Carvalho (pdf )

sábado, 24 de junho de 2017

O Reflexo do Homem


O homem reflete em suas ideias, emoções e atos, seu mundo interior. O observador perspicaz sabe disso. Nos Evangelhos encontramos a evidência desta verdade na citação: “A boca fala aquilo de que está cheio o coração”.

Quando o homem age de duas formas - o que é comum acontecer - temos uma incoerência: “Pode jorrar, de uma mesma fonte, água doce e amarga?”.

O curioso é que não suportamos nos outros os nossos próprios defeitos. Geralmente o mais malicioso é que vê e critica a malícia no semelhante; o desonesto (em algum âmbito obscuro para ele) é o que mais condena o roubo. É um grito estrangulado da consciência que está sempre rebelada contra o que se repete no interior do homem. Quando “experimentaram” o Cristo, com a mulher adúltera (e os fariseus trouxeram apenas a mulher, quando a lei prescrevia o mesmo castigo ao homem que adulterava com ela), Ele os desconcertou com o conhecimento que tinha da natureza humana: “Aquele que estiver isento de pecado, seja o primeiro a atirar a pedra”. E diz a tradição que o Mestre, tranquilamente reclinado sobre o solo, escrevia com uma vara sobre a areia, onde cada fariseu via escritos seus defeitos pessoais. Certamente é um símbolo da consciência que, dentro de cada um, ia clamando seus defeitos para arrasar a pretensão de juiz daquela mulher.

Com o desenvolvimento da psicologia profunda, qualquer pessoa compreende o quão necessário se torna o conhecimento de nós mesmos. Nenhuma elevação espiritual é possível sem esta condição. À medida que nos vamos conhecendo pela observação e discernimento dos nossos atos, através de exercícios como o da Retrospecção noturna, prescrita pelos Rosacruzes, vamos assegurando e firmando aquilo que aprendemos. Consideramos este conhecimento e o domínio de si mesmo, como a pedra fundamental do progresso interno e da felicidade do homem. Goethe, o grande iniciado, criador de “Fausto” o definiu bem: “O Homem se liberta de todas as limitações que o encandeiam, apenas quando alcança o domínio de si mesmo”. E Cristo mostra o caminho: “Conhecereis a verdade e a Verdade vos libertará”. Essa verdade está dentro de nós, pela sujeição de tudo ao nosso Ego, o Cristo Interno. Nenhuma ciência, nenhum conhecimento, nenhuma arte, posse alguma, representa uma finalidade nesta vida. Tudo tem valor, na medida em que se incorpore e expresse o que há de espiritual em nós.

Em síntese, reproduzindo Paulo: temos uma mente carnal e uma mente espiritual, um corpo de desejos (com uma parte inferior e outra superior).- essas as origens de nossas controvertidas expressões. O Ego concebe a ideia, mas quando ela se reveste de uma forma na Região do Pensamento Concreto, sofre a influência escravizante do corpo de desejos, que se unindo à mente, desde a Época Atlante, formou em nós uma espécie de “alma animal”.

Mas não basta conhecer a verdade. Ela apresenta a solução, mas, é mister alcançá-la. Como libertar o ser humano e regenerá-lo, tornando-o, de novo, à condição de ser espiritual, filho e herdeiro de Deus?

O “Conceito Rosacruz do Cosmos”, em sua última parte expõe magistralmente essa questão. Tudo se resume na prática dos exercícios recomendados e num persistente esforço de repetir o bem na vida diária. Em verdade, aquilo que em nós vê o defeito e o mal nos outros, é o lado inferior. O lado superior onde existe apenas a atração, simpatia, amor, filantropia e todas as demais qualidades superiores da vida, da luz e do poder anímicos, vê apenas o BEM, o IRMÂO, o SEMELHANTE, o ESPÍRITO, a ESSÊNCIA, que – juntamente conosco e com outros seres humanos - forma a onda de Peixes, dos Espíritos Virginais em evolução - Filhos de Deus, transitoriamente diferenciados na cor da pele e nas condições externas.

Deixar que o lado inferior julgue e determine é rebaixar-se à condição de um animal irracional. Pior ainda, porque, tendo mente, cometemos, desse modo, atos que os animais não praticariam.

O ser humano é humano porque é racional – detentor de uma mente que deve ser exercitada e espiritualizada. O Aspirante à espiritualidade está vigilante para esta verdade. Não se expõe à insensatez pela imposição aos outros, de suas ideias. Tão pouco sofre sem proteções a insensatez dos outros. Em sua relação com os demais procura ser prudente e sábio, amoroso e justo, expressando o que tem de superior. 

Só deste modo poderá elevar-se, e elevar os demais, “perfumando” a atmosfera em que vive com pensamentos e sentimentos justos, e edificando a todos por sua maneira de agir.

Publicado na revista Serviço Rosacruz,  fev.,1966 (mantida a ortografia)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Quintais Murados e Sem Muros


Do alto da janela do meu quarto vejo os quintais da vizinhança. São retângulos bem demarcados, alguns com limites de vidros pontiagudos, agressivos. Em cada muro terminam e começam os direitos de propriedade...

Tenho pensado nesses muros. Afinal são necessários. Como as demais coisas que existem na sociedade humana atual, eles exprimem uma condição e uma necessidade interna.

Recibos, contratos, fechaduras, são outros limites visíveis.

E há os invisíveis muros das limitações internas, dos egoísmos, das ambições. Estes são os mais importantes, se bem invisíveis, porque originaram aqueles.

Desde que me conheço por gente tenho ouvido falar de limites. Limites do Estado e do País em que nasci; limites de capacidade; limites de tudo, menos de Deus que é ilimitado.

Afinal, tudo o que evolui tem limites porque a verdade absoluta está além dos horizontes das verdades relativas que se vão alcançando...

Mas pelo menos, quando reconhecemos os limites de nossas faculdades e as procuramos dilatar, não estamos invadindo direitos de ninguém. No corpo de Deus todos estamos em expansão constante e como Filhos e Herdeiros Seus, só ferimos Seus direitos quando os reclamamos para nós. Tudo Ali é conquista de algo mais para atender às nossas legítimas necessidades e servir os demais.  Mas aqui, tudo é conquista de mais, para servir-SE.

Aí está a diferença fundamental entre os limites de consciência e os humanos...

Ajuda-me, Senhor, para que eu possa derrubar os muros invisíveis do egoísmo que me cerceia e apequena; só assim poderei alargar os limites de minha consciência, de meu amor e de meu entendimento em busca do ilimitado que és TU.
Publicado na revista Serviço Rosacruz,  fev.,1966

domingo, 28 de maio de 2017

Conhecer a Verdade


por Gilberto Silos
Conta uma antiga lenda, que a verdade estava certo dia se banhando num rio. Apareceu então, a mentira que, sorrateiramente despiu-se, deixou sua roupa ali nas proximidades, vestiu a da verdade e foi embora. A verdade saindo do banho viu os trajes da mentira, mas recusou-se a vesti-los. Dirigiu-se nua à cidade, e lá tentaram apedrejá-la. Amedrontada, retornou ao rio e vestiu a roupa da mentira. Desde então anda pelo mundo disfarçada de mentira e esta camuflada de verdade.

As pessoas, de fato são muitas vezes, induzidas pela força das opiniões correntes a inverter a verdade dos fatos. Sofremos diariamente, um bombardeio provindo do noticiário jornalístico, das propagandas, das conversas que compõem nosso relacionamento quotidiano. E dentro de toda essa "pressão" que o meio exerce sobre nós, não é fácil manter uma postura autêntica, firme, corajosa, sem fugir da verdade.

Felizmente contamos com a ajuda valiosa de uma escola como a Fraternidade Rosacruz. Os estudos baseados nas investigações diretas do iniciado Max Heindel livram-nos de muitos enganos. As "chaves" espirituais oferecidas pelos ensinamentos rosacruzes nos conduzem pelo caminho da verdadeira sabedoria.

Apesar de agirem com louvável boa intenção, muitos estudantes se enganam quando se deixam levar pela pressa. Almejam resultados a curto prazo. Mal se apercebem dos pequenos obstáculos da planície e já querem galgar a íngreme encosta da montanha.

Pode-se abreviar a jornada, trilhando o "caminho do meio", o centro do caduceu. Mas, suportarão os percalços da subida reta? Estarão dispostos a "tomar o reino dos céus por assalto?".

Na senda da evolução não há fórmulas milagrosas. Quem se ilude acaba inevitavelmente ludibriado por “falsos mestres" que proclamam poderes e os vendem. O verdadeiro orientador espiritual não exige dinheiro, prestígio ou quaisquer compensações mundanas. Procura desde o início libertar o aspirante de toda e qualquer dependência externa, tornando-o confiante em si mesmo no mais alto grau. Dessa forma ele pode cumprir o objetivo de seu treinamento, convertendo-se também, num ponto de apoio e orientação dos demais, passando adiante o benefício recebido.

Praticando o exercício da retrospecção o aspirante estará penetrando em seu próprio íntimo. É um meio objetivo de fazer emergir à consciência fatos até esquecidos lá do subconsciente, ensejando-se oportunidade de reexaminá-los sob novo enfoque. 

Dessa maneira pode-se conhecer os aspectos verdadeiros do fato. A moderna psicologia nos ensina a reeducar o subconsciente. Os meios espirituais, entretanto, são mais eficientes. Basta que, para completar o efeito benéfico da retrospecção, se pratique a meditação matinal, também recomendada por Max Heindel como exercício para a organização dos veículos internos. Dedicando algum tempo a essa prática, tomaremos contato com o Cristo Interno. Seremos levados a uma conscientização da nossa real identidade, do nosso Eu verdadeiro e superior. É uma percepção do que existe atrás do véu, lá na sala ocidental do tabernáculo humano.
    Publicado no ECOS da Fraternidade Rosacruz - Sede Central do Brasil, jan/fev, 1992

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