sábado, 2 de setembro de 2017

Do Oficiar Rituais Rosacruzes

Nota: Nos é sugerido que o Símbolo Rosacruz com a Rosa Branca no centro seja apresentado 
somente  durante os Rituais, quando a cortina é aberta.

por Jonas Taucci
Não há – absolutamente – nenhuma atividade mais importante num Centro Rosacruz, que o oficiamento de seus Rituais.

Esta palestra (1) – resumidamente - foi concebida para estarmos plenamente conscientes dos preceitos a seguir, com referência aos oficiamentos dos Rituais Rosacruz no Templo.

A localização do símbolo (frente para o leste, nascer do Sol), as músicas de preparação do ambiente, de abertura, signo astrológico e encerramento, a concentração e a vibração de cada Ritual constituem-se em algo (extremamente) sagrado que (sem dúvidas alguma) edifica uma egrégora no referido Templo.

Muito importante, nos darmos conta de que, quando oficiamos os Rituais Rosacruzes nos Centros autorizados (com vínculo à Sede Mundial – Oceanside), estamos projetando para o símbolo, ouvintes e à humanidade, tudo o que temos em nosso interior.

Nos Templos, apenas probacionistas ativos, devem oficiar os Rituais, e se possível, revezando-se entre homens e mulheres, atendo-se a que os Rituais de Lunação (Lua Nova e Cheia), são restritos à probacionistas ativos da Fraternidade Rosacruz que desejam participar.

Cada palavra, cada frase que é proferida pelo probacionista oficiante, mesmo que estas contenham o mais sublime ideal de Deus, da Luz ou do Amor, se não estiverem sendo vividas diariamente, estaremos projetando uma atmosfera espiritualmente negativa aos ouvintes.

Quando estes Rituais são oficiados repetidamente por pessoas que não estão vivendo de acordo com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, o ambiente vai saturando-se ou cristalizando-se.

Claro e evidente, que não se solicita uma vida cem por cento santificada, pois no atual estágio de nosso desenvolvimento, isto é impossível, contudo os probacionistas ativos que são os oficiantes, devem diariamente servir a seu Eu Superior, praticando em suas ações, os ideais dos Rituais, pois desta forma, quando oficiarem, contribuirão para a eficácia dos mesmos e seus resultados serão obtidos de uma forma mais abrangente.

Vemos aí a responsabilidade de ser um probacionista oficiante!

Quando o probacionista sabe que vai oficiar, deve prepara-se antecipadamente, pois sabe que será um instrumento para auxiliar no propósito do respectivo Ritual:

*** Não se constitui uma regra, mas sugere-se que o oficiante e participantes não estejam – recentemente – com o estômago cheio, pois isto torna difícil meditar, já que nosso Corpo Denso se canaliza para a digestão, interferindo assim numa meditação e concentração plena.

*** Entrar no Templo – probacionista oficiante e participantes -  com cerca de quinze minutos antes do início do Ritual e ouvir música adequada para preparação do ambiente. Isto fortalece nossos Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente, para esta sacra atividade.

*** O probacionista oficiante, nesta hora, deve pedir a Cristo que o ilumine e assim, possa ser um verdadeiro canal para transmitir a essência do referido Ritual Rosacruz.

*** Ouvir e cantar – todos os presentes – o Hino Rosacruz de Abertura, com toda a reverência possível. Este Hino está estruturado – musical e astrologicamente – em Ré Maior, que coloca em vibração a Divina Hierarquia de Libra, regida por Vênus, possuindo como uma das palavras básicas, o Amor. O cantar torna-se valioso, pois o som possui um papel relevante para que as vibrações se tornem presentes. 
 
Ouça os hinos de abertura, encerramento e astrológicos cantados aqui
Importante: os Rituais não devem ser (apenas) assistidos: devem ser participados.

*** O Hino Astrológico ao signo do mês (em que o Sol esteja transitando no dia do referido Ritual), é importantíssimo. Elman Bacher (Estudos de Astrologia) nos fala que planetas e signos são seres (Hierarquias), e sem dúvidas corroboram para o fortalecimento da egrégora.

*** Há Centros que – acertadamente – incluem no oficiamento do Ritual de Cura, a Canção da Rosa Branca”; esta flor representa o coração do Auxiliar Invisível e, torna-se evidente, contribui com as vibrações de cura, pois “... deixemos a Força Curadora libertada com Cristo e os Auxiliares Invisíveis, para que a utilizem onde mais se fizer necessária”. (Conheça a Cançao da Rosa Branca aqui)

*** Ao ser descortinado o símbolo Rosacruz, deve-se procurar visualizar emanações espirituais deste sagrado emblema, a iluminar todos os presentes, assim como toda a humanidade.

*** O probacionista oficiante há que atentar-se a certas particularidades: não ler mecanicamente, nem os participantes ouvirem de forma semelhante, mas ambos procurarem visualizar o que falam e ouvem respectivamente.

*** Todas orações direcionadas ao símbolo Rosacruz, são recebidas pela contraparte etérica do mesmo. Devemos estar conscientes disto, e do privilégio que representa, mas também da responsabilidade aqui contida.

*** Há centros que conjugam palestras com Rituais. Seria sugestivo às quartas feiras, (dia governado por Mercúrio) as palestras serem voltadas para a Filosofia Rosacruz, e aos domingos (dia governado pelo Sol), serem direcionadas ao Cristianismo Esotérico. Assim mente e coração, em seus respectivos dias astrológicos, produzirão uma melhor assimilação das referidas palestras. (2)

*** Todos ouvem e cantam o Hino Rosacruz de Encerramento, o qual está sintonizado em Ré Bemol Maior, em consonância à Hierarquia de Áries, regido por Marte, possuindo como uma das palavras básicas a Ação.

*** Sejamos sabedores de que o resultado do Amor (Libra, Vênus, Hino de Abertura) somado à Ação (Áries, Marte, Hino de Encerramento) resulta – evidentemente - no Amor em Ação: o Ideal Rosacruz.

*** Finalmente, todos deixam o Templo, no mais absoluto silêncio, como indica Max Heindel, para não serem alteradas as vibrações edificadas.

*** O Ritual Rosacruz do Serviço do Templo, parte Despedida, nos exorta a que:

A) de volta ao mundo material (após o termino dos Rituais)

B) levemos a firme resolução de expressar em nossas vidas diárias (praticar o Ritual oficiado).

C) os elevados ideais de espiritualidades que aqui recebemos (os Rituais Rosacruzes possuem – todos - vibrações Crísticas, já que todos eles contem os preceitos indicados pelo mais alto iniciado do Período Solar, O CRISTO).

D) para que, dia a dia, nos tornemos melhores homens e mulheres (desta forma, conseguirmos a supremacia de nosso Eu Superior sobre o Eu Inferior)

E) e mais dignos de sermos utilizados como colaboradores conscientes na obra benfeitora dos Irmãos Maiores, à serviço da humanidade (colaborar indica ação, e as ações que praticamos aos nossos semelhantes, auxiliam a benfeitoria que os Irmãos Maiores prestam junto à humanidade).

Estarmos presentes num Templo (físico) da Fraternidade Rosacruz, e participarmos destes Rituais, constituem-se num privilégio (3).

Esforcemo-nos para viver vidas de PUREZA e SERVIÇO, que correspondem aos sustentáculos para transmitir os Ensinamentos Rosacruzes aos nossos irmãos.

(1). Palestra realizada no Centro Rosacruz de Santo André, em dezembro de 1.988, por ocasião do Natal. Baseada e resumida em artigo publicado no boletim “Amizade Rosacruciana” nº 58, julho/1.988, do Centro Rosacruz Max Heindel, Lisboa – Portugal.

(2). Durante décadas, vários centros seguiram esta prática.

(3). Fica o convite para que todos (reunião aberta ao público) participem do Ritual de Setembro - nos centros Rosacruzes -  no próximo dia 21 de setembro deste ano de 2.017 (data fixada por nossa Sede Mundial), onde observa-se o retorno anual do Cristo à Terra (atinge à atmosfera de nosso planeta, Sol ingressando no signo Zodiacal de Libra). (Ritual do Equinócio de Setembro) 

IMPORTANTE: Os Rituais Rosacruzes podem ser oficiados nos lares, com a família e amigos (com exceção dos Rituais de Lua Nova e Cheia, restritos à probacionistas ativos).

sábado, 5 de agosto de 2017

Da Destilação Alquímica Interna

O Alquimista – Pintura do holandês Adriaen Van Ostade (1.610-1.685)
por Jonas Taucci
Uma das primeiras palestras que presenciei na Fraternidade Rosacruz foi a do irmão probacionista Antônio Munhoz. Tinha acabado de inscrever-me no Curso Preliminar, e a palestra assistida referia-se ao livro Iniciação Antiga e Moderna”, de Max Heindel.

Algo que me chamou a atenção - neste meu início - foi a de que apenas probacionistas ativos oficiavam Rituais e proferiam palestras.

Na exposição, foi aludida a condição em que se encontra o candidato à porta oriental do Tabernáculo no Deserto: “pobre, nú e cego”, ressaltando o irmão Munhoz de que esta condição não se relaciona a absolutamente nada físico, e – lembro-me – em uma lousa com giz (estamos no final dos anos 70...) escreveu:

*** POBRE: A carência da luz interna.

*** : Ausência do Corpo Alma.

*** CEGO: A deficiência para vivenciar as Leis Cósmicas.

Disse que o caminho ao nascimento de nosso Cristo Interno passa por um afunilamento (A torre da igreja é larga na base, mas aos poucos vai se estreitando...), comparando isto a algumas passagens (sequenciais) do Novo Testamento, com referência a Cristo, até à sua crucificação.

Este estreitamento (interno) -  continuou - é o trabalho, o processo alquímico que o aspirante rosacruz realiza em seu dia a dia, auxiliando seu semelhante, como preconizou Cristo, sendo o seu resultado:

*** Crescimento de nosso EU SUPERIOR

*** Diminuição de nosso EU INFERIOR

Esta ordem está perfeitamente em sintonia com o evangelho de João:

*** “É necessário que ele cresça e que eu diminua (João 03:30).

Todos nós somos alquimistas! Nosso corpo constitui-se no “laboratório” onde a OBRA (literalmente) pode ser realizada: a transmutação do chumbo em ouro”, e Max Heindel no citado livro acima (capítulo IV – A Transfiguração), nos dá uma bela explanação sobre o assunto.

Há pessoas, com certeza, que ao lerem passagens bíblicas sobre o Cristo ou verem filmes sobre o assunto, sentem-se impulsionadas a pensar no desejo de estarem naqueles dias e locais em que o maior iniciado do Período Solar esteve na Terra, e:

*** Colocar no colo, o menino Jesus recém-nascido.

*** Estar presente nas curas que Cristo realizou, e confortar os enfermos.

*** Participar da Santa Ceia, e comungar o alimento por Ele oferecido.

*** Ao Vê-lo carregar sua cruz, ir em seu encontro e prontificar-se a auxilia-lo.

*** Estar ao lado Dele, na crucificação, e dizer: Aqui estou, neste teu difícil momento.

Pensar assim, pode revelar total dissonância para com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental.

Há em cada ser humano, um Cristo Interno, e isto foi dito pelo mais alto Arcanjo (Cristo) ao dizer que, quando auxiliamos nossos semelhantes, estamos auxiliando a Ele (o Cristo que habita em cada pessoa), e quando deixamos de fazer aos outros, também não estamos fazendo a Ele. (Evangelho de Mateus -  25: 35 a 45).

Encontra-se à nossa disposição, aqui e agora, o vivenciar – e não o sonhar – nossa ajuda ao Cristo, pois quando – amorosamente,

1) visitamos crianças em orfanatos.
2) confortamos pessoas enfermas em hospitais ou lares.
3) compartilhamos nossa ceia (alimento) com os desassistidos.
4) estamos presentes e atuantes com pessoas em seus momentos difíceis

...estaremos auxiliando o Cristo (de nossos irmãos), apressando a libertação do Cristo Cósmico de sua trajetória anual à Terra e, realizando uma obra (própria) de destilação alquímica interna, que irá – verdadeiramente e não utopicamente - resultar no nascimento de nosso Cristo Interno.

Nem todo o que me dizSenhor, Senhor” (o simples conhecimento de informações espirituais, ainda que profundas) entrará no Reino dos Céus (plural), mas aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus (plural também; estágios evolutivos - Mateus 07:21).

Sempre considerei também interessantíssimo este afunilamento mencionado acima pelo irmão Munhoz e a citação do Ritual Rosacruz de Cura:

*** Se alguém se absorve numa intensa súplica a um poder superior, sua aura parece afunilar-se em forma muito semelhante á parte inferior da tromba marinha”.

Tentarei (re)transmitir as citações bíblicas ditas pelo saudoso irmão, em sua ordem, acrescentando pinturas de renomados artistas. Não nos esquecendo de que possuímos um Cristo Interno ainda em estado latente, e todas estas citações devem ser (interna e alquimicamente) percorridas pelo aspirante rosacruz.







*** Por fim chegará um momento em que este caminho é tão fino quanto o fio de uma navalha, e aí só poderemos agarrar-nos à cruz. (Iniciação Antiga e Moderna -  Max Heindel – capítulo VI – a Lua Nova e a Iniciação)

Invariavelmente, as palestras do irmão Munhoz terminavam assim:

_ Hoje aprendemos um pouco mais sobre os Ensinamentos Rosacruzes.

De nada adianta sermos um poço de conhecimento; coloquemos o que aqui foi exposto à serviço de nosso semelhante, através de ações, alimentando assim nosso Eu Superior para o nascimento de nosso Cristo Interno. Não há outra razão para estudarmos os Ensinamentos Rosacruzes.

Excelentes palestras nos deu o irmão Antônio Munhoz...

domingo, 23 de julho de 2017

"A Semana de Max Heindel"


Em 23 de julho de 1973 a Fraternidade Rosacruz – Sede Central do Brasil decidiu incorporar em suas atividades a “Semana de Max Heindel”, o que ficou registrado na revista Serviço Rosacruz do mês seguinte (agosto de 1973), tendo sido fielmente levado à prática até final da década de 90 aproximadamente.

Assim, de 23 de julho até o final do mesmo mês, toda e qualquer atividade no centro em São Paulo tinha início com menções sobre a vida e a obra do fundador da Fraternidade Rosacruz.

Embora no anúncio da revista conste a expressão sessão solene, as manifestações eram bastante simples, como, aliás, condiz à nossa escola. Não se tratava de uma exaltação à personalidade de Max Heindel. A finalidade, pelo contrário, era a de uma introspecção do exemplo. 

sábado, 1 de julho de 2017

Do Cultivo de Nossas Rosas Internas

 por Jonas Taucci

Durante décadas, dedicadas irmãs – alternando-se - traziam semanalmente uma rosa branca, natural e com frescor, colocando-a num vaso na tribuna do Templo da Fraternidade Rosacruz. Nenhum Ritual era oficiado sem ela.

Originária de países asiáticos, a rosa já era utilizada por civilizações antiquíssimas (assírios, babilônios, gregos, egípcios) em formas decorativas, banhos de imersão e ofícios religiosos. Fósseis desta flor datam de milhões de anos.

Existe por volta de 100 espécies de rosas, e para os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, esta flor reveste-se de uma sublime importância, fazendo parte do símbolo Rosacruz.

Vejamos:

*** No símbolo Rosacruz - em consonância ao Ritual de Cura - a rosa branca é o símbolo do coração do Auxiliar Invisível e as sete rosas vermelhas representam seu purificado sangue.

*** Neste mesmo símbolo, os Ensinamentos Rosacruzes informam que as sete rosas vermelhas são nossas (internas) glândulas endócrinas, e que possuem sua contrapartida em nosso Corpo Vital, sendo meios para evoluirmos e nos desenvolvermos espiritualmente. 


Uma analogia entre o universo, os diversos campos de evolução além da Terra, pode ser feito com uma rosa, pois a bela imagem desta flor desabrochando está – esotericamente – ligada a ocorrência evolutivas.

OITAVA SUPERIOR
*** Do centro da rosa (Mundo de Deus), emanam pétalas (incontáveis ondas de vida).

OITAVA INFERIOR
*** Exatamente do centro desta flor (Espíritos Virginais), surgem pétalas, camadas (Corpos Denso, Vital, de Desejos e Mente, numa descida” à Terra, a matéria).


Abaixo, a letra da Canção do Serviço da Rosa Branca, tradução do original: "White Rose Service Song" de autoria de Emma Wendt, que consta do livro Songs of Light de nossa Sede Mundial (Oceanside). Esta versão para o português é de autoria dos irmãos da Fraternidade Rosacruz - Max Heindel do Rio de Janeiro. (Letra original no vídeo abaixo)

Eu rogo a Ti, ó Senhor da Luz,
Com os meus olhos nesta linda rosa branca,
Eu adoro o Teu Sagrado Nome neste momento
Transmuta meu amor em força curadora.

Ajuda-me a encontrar o Caminho,
O glorioso Caminho que Jesus trilhou
O Caminho do Serviço, o Caminho mais curto,
O caminho mais seguro e alegre.
Ensina-me a amar o Caminho que conduz a Ti,
Meu Pai Celestial.


Sugestões de leituras indicadas:

*** Max Heindel -Conceito Rosacruz do Cosmos, capitulo XVII Método para adquirir o conhecimento direto – subtítulo: Concentração, onde Max Heindel cita uma rosa.(aqui)

*** Revista: Rays from the Rose Cross – volume 95 – número 02, de março/abril de 2003, pág.32 "Is the Universe Like a Rose?" (aqui)

*** Max Heindel, livros Astrologia e Glândulas Endócrinas e Mistérios das Glândulas Endócrinas.


Ouça a canção e conheça a letra original de Emma Wendt


Relacionado: Rosa Rainha das Flores... por Delmar de Carvalho (pdf )

sábado, 24 de junho de 2017

O Reflexo do Homem


O homem reflete em suas ideias, emoções e atos, seu mundo interior. O observador perspicaz sabe disso. Nos Evangelhos encontramos a evidência desta verdade na citação: “A boca fala aquilo de que está cheio o coração”.

Quando o homem age de duas formas - o que é comum acontecer - temos uma incoerência: “Pode jorrar, de uma mesma fonte, água doce e amarga?”.

O curioso é que não suportamos nos outros os nossos próprios defeitos. Geralmente o mais malicioso é que vê e critica a malícia no semelhante; o desonesto (em algum âmbito obscuro para ele) é o que mais condena o roubo. É um grito estrangulado da consciência que está sempre rebelada contra o que se repete no interior do homem. Quando “experimentaram” o Cristo, com a mulher adúltera (e os fariseus trouxeram apenas a mulher, quando a lei prescrevia o mesmo castigo ao homem que adulterava com ela), Ele os desconcertou com o conhecimento que tinha da natureza humana: “Aquele que estiver isento de pecado, seja o primeiro a atirar a pedra”. E diz a tradição que o Mestre, tranquilamente reclinado sobre o solo, escrevia com uma vara sobre a areia, onde cada fariseu via escritos seus defeitos pessoais. Certamente é um símbolo da consciência que, dentro de cada um, ia clamando seus defeitos para arrasar a pretensão de juiz daquela mulher.

Com o desenvolvimento da psicologia profunda, qualquer pessoa compreende o quão necessário se torna o conhecimento de nós mesmos. Nenhuma elevação espiritual é possível sem esta condição. À medida que nos vamos conhecendo pela observação e discernimento dos nossos atos, através de exercícios como o da Retrospecção noturna, prescrita pelos Rosacruzes, vamos assegurando e firmando aquilo que aprendemos. Consideramos este conhecimento e o domínio de si mesmo, como a pedra fundamental do progresso interno e da felicidade do homem. Goethe, o grande iniciado, criador de “Fausto” o definiu bem: “O Homem se liberta de todas as limitações que o encandeiam, apenas quando alcança o domínio de si mesmo”. E Cristo mostra o caminho: “Conhecereis a verdade e a Verdade vos libertará”. Essa verdade está dentro de nós, pela sujeição de tudo ao nosso Ego, o Cristo Interno. Nenhuma ciência, nenhum conhecimento, nenhuma arte, posse alguma, representa uma finalidade nesta vida. Tudo tem valor, na medida em que se incorpore e expresse o que há de espiritual em nós.

Em síntese, reproduzindo Paulo: temos uma mente carnal e uma mente espiritual, um corpo de desejos (com uma parte inferior e outra superior).- essas as origens de nossas controvertidas expressões. O Ego concebe a ideia, mas quando ela se reveste de uma forma na Região do Pensamento Concreto, sofre a influência escravizante do corpo de desejos, que se unindo à mente, desde a Época Atlante, formou em nós uma espécie de “alma animal”.

Mas não basta conhecer a verdade. Ela apresenta a solução, mas, é mister alcançá-la. Como libertar o ser humano e regenerá-lo, tornando-o, de novo, à condição de ser espiritual, filho e herdeiro de Deus?

O “Conceito Rosacruz do Cosmos”, em sua última parte expõe magistralmente essa questão. Tudo se resume na prática dos exercícios recomendados e num persistente esforço de repetir o bem na vida diária. Em verdade, aquilo que em nós vê o defeito e o mal nos outros, é o lado inferior. O lado superior onde existe apenas a atração, simpatia, amor, filantropia e todas as demais qualidades superiores da vida, da luz e do poder anímicos, vê apenas o BEM, o IRMÂO, o SEMELHANTE, o ESPÍRITO, a ESSÊNCIA, que – juntamente conosco e com outros seres humanos - forma a onda de Peixes, dos Espíritos Virginais em evolução - Filhos de Deus, transitoriamente diferenciados na cor da pele e nas condições externas.

Deixar que o lado inferior julgue e determine é rebaixar-se à condição de um animal irracional. Pior ainda, porque, tendo mente, cometemos, desse modo, atos que os animais não praticariam.

O ser humano é humano porque é racional – detentor de uma mente que deve ser exercitada e espiritualizada. O Aspirante à espiritualidade está vigilante para esta verdade. Não se expõe à insensatez pela imposição aos outros, de suas ideias. Tão pouco sofre sem proteções a insensatez dos outros. Em sua relação com os demais procura ser prudente e sábio, amoroso e justo, expressando o que tem de superior. 

Só deste modo poderá elevar-se, e elevar os demais, “perfumando” a atmosfera em que vive com pensamentos e sentimentos justos, e edificando a todos por sua maneira de agir.

Publicado na revista Serviço Rosacruz,  fev.,1966 (mantida a ortografia)

Marcadores